Dilma muda estratégia para lidar com base governista descontrolada
Para tentar enfrentar a volta do recesso branco no Congresso com a base
governista ainda descontrolada, a presidente Dilma Rousseff decidiu
fazer uma reunião com os líderes aliados na Câmara --principal foco de
problemas com o Legislativo.
Dilma quer inaugurar o que interlocutores chamam de "um novo capítulo"
na instável convivência com o Legislativo e pedir que os partidos que
integram a coalizão voltem a votar com o Executivo.
O plano esbarra em duas dificuldades: a presidente ainda não se
recuperou do tombo de popularidade na esteira dos protestos de junho e a
economia brasileira, com os cofres públicos minguados, limita o poder
de barganha oficial.
Na reunião com líderes, a presidente terá à sua frente representantes da
base mais infiel a um presidente da República desde 1989, conforme
mostrou a Folha ontem.
Em julho, ao avaliarem a rebelião no Congresso, auxiliares de Dilma
fizeram nos bastidores um diagnóstico jamais admitido publicamente: o
Planalto perdera suas condições de governabilidade na Câmara, casa mais
hostil a ela do que o Senado.
Partidos, o seu PT incluído, empresários, setor financeiro e até mesmo
funcionários do Executivo passaram a elevar o tom das críticas e, no
caso do Congresso, a cobrar caro pelo apoio.
Foi justamente nesse período que se mudou a dinâmica de votações dos
vetos presidenciais. Se, antes, eles mofavam no escaninho do plenário,
agora passarão a ser apreciados com regularidade quase mensal. Foi um
recado dos aliados.
Embora Dilma não tenha uma agenda legislativa ambiciosa para o segundo
semestre, teme ver ciladas armadas por insatisfeitos que tentar surfar
na atual fragilidade do Planalto.
Há duas semanas, ela montou uma força-tarefa para garantir o empenho de
emendas parlamentares (recursos que congressistas remetem às suas bases
eleitorais).
FRICÇÕES
O objetivo era iniciar agosto reduzindo as fricções que distanciam a base aliada de seu comando.
Embora ela tenha preparado um script mais político para reunião de hoje,
Dilma deve apresentar alertas sobre o cenário econômico atual. O
prognóstico de baixo crescimento e pressão inflacionária recomenda
cautela.
Até dezembro de 2012, dizia-se nos bastidores que, a despeito das
tradicionais reclamações em relação à falta de diálogo e ao estilo
centralizador da presidente, o governo navegada sobre mar nervoso, mas
sempre chegava em terra firme.
Precisou acelerar o empenho de R$ 6 bilhões em emendas parlamentares,
mandar que ministros fizessem a corte aos congressistas e, agora,
convocar a reunião de líderes para mostrar que a presidente está aberta
ao diálogo.
Folha de São Paulo
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