
Preocupar-se demais em agradar na cama atrapalha o sexo
É totalmente natural e saudável preocupar-se com o prazer da pessoa com
quem você faz sexo. Porém, se a sua vontade de agradar é excessiva,
talvez a transa não seja boa para nenhum dos dois.
"Vivemos um tempo em que dar prazer para o outro virou uma obrigação,
como se o prazer não fosse uma conquista construída a dois", afirma o
psiquiatra e psicodramatista Alexandre Saadeh, especialista em
sexualidade humana, médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e professor na PUC-SP
(Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
Nem sempre as relações sexuais fluem naturalmente, e os pensamentos
(nesse caso, as encanações) tomam conta da mente, inibindo as sensações
prazerosas. Com isso, o momento que deveria ser gostoso acaba se
tornando desgastante.
MULHER
PRECISA DE PRELIMINARES SEMPRE? Não é bem assim, segundo a
ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite do
Ambulatório de Sexualidade Feminina da Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo). "Se ela já estiver excitada, por exemplo, após ver um filme
erótico, com muita saudade do namorado ou com alguma fantasia de transar
em um local diferente, uma rapidinha pode cair muito bem", diz a
especialista Didi Cunha/UOL
Ter muita vontade de agradar o outro sob os lençóis dificulta o
orgasmo. "Se fazemos coisas forçadas ou por obrigação --muitas vezes por
nós mesmos--, o orgasmo estará sempre comprometido", afirma Alexandre
Saadeh. E é muito mais fácil chegar ao clímax se a mente estiver livre
de preocupações.
Por trás do desejo exagerado de satisfazer o parceiro ou parceira
também está escondido um certo medo da rejeição, que, consequentemente,
prejudica a autoestima. E quando não estamos felizes com o que somos ou
aparentamos, não deixamos que o melhor de nós se revele. Sendo assim,
para que o sexo seja vivenciado de forma absoluta, é importante analisar
de onde vêm as preocupações e como se livrar delas.
Por que isso acontece?
"Homens e mulheres costumam levar para a cama não apenas o desejo, mas
uma carga de preocupações que interferem na entrega", afirma o
psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate, autor do livro "Sexualidade
sem Fronteiras" (MG Editores). A questão está em quanto cada um está
seguro em relação ao que pode dar e receber.
Entre as preocupações, a mais evidente é querer ser bom de cama. "A
ideia de que o sexo precisa ser sempre incrível produz uma preocupação
excessiva com o desempenho, subtraindo a leveza e a alegria que pode
existir nas trocas de carícias de caráter puramente lúdico", afirma
Gikovate.
Encanações com o corpo também atrapalham
Inevitavelmente, em algum momento, todo mundo sente algum tipo de insegurança em relação à própria aparência.
As encanações com o corpo influenciam, pois estão ligadas ao medo do que o outro vai achar de você.
Nesse caso, lembre-se que, normalmente, quem dá mais importância para
seus defeitos é você mesmo, e não o parceiro, de acordo com Alexandre
Saadeh.
Se ambos sentem atração um pelo outro, o prazer sexual está acima de detalhes como celulite ou tamanho do pênis.
De acordo com a a psicóloga e sexóloga Ana Canosa, autora do livro "A
Metade da Laranja? Discutindo Amor, Sexo e Relacionamento" (Ed. Master
Pop), é uma ilusão acreditar que tentar dar um show na cama, fazendo até
aquilo que não tem vontade, surpreenderá o parceiro ou parceira,
afinal, não se pode ter certeza absoluta de que você está ou não
agradando.
"Apesar de ambos os gêneros levarem suas aflições para a cama –e mesmo
com a independência feminina e mudanças nos costumes sexuais–, ainda há
traços de desigualdade na relação e a mulher ainda sofre mais com as
concessões", afirma Ana Canosa.
"A mulher, por exemplo, pode ter um parceiro que gosta de sexo anal,
mas ela tem dificuldades, medos, dor, receio, mas acaba cedendo apenas
para que o outro se satisfaça", explica Saadeh.
O fato é que quando só um leva vantagem na transa, com seus gostos
preferências e ritmos sempre como prioridade, a tendência é que o outro
se frustre. "Isso pode implicar, no futuro, na perda da qualidade e a
falta de vontade de fazer sexo", diz Ana.
A especialista afirma que, pode-se dizer, portanto, que um dos motivos
de muitas mulheres não terem orgasmo é o medo de dizer para o parceiro o
que realmente gostam.
Como mudar isso?
Conversar abertamente sobre as preocupações e também sobre as fantasias
sexuais é um caminho para a libertação. O sexo não deve ser encarado
como uma obrigação e, sim, um momento de entrega, cumplicidade, em que
as sensações devem ser mantidas em primeiro plano.
"Cada um de nós deve escolher e vivenciar os tipos de carícia
consentida que mais lhe agradar. E isso só é possível se o casal estiver
aberto para o diálogo", afirma Gikovate. Portanto, converse sobre suas
preferências e conte ao outro quais são suas expectativas em relação a
ele, a você e fale sobre suas inseguranças. "Quando esse estágio na vida
a dois é atingido, é sinal de que a verdadeira liberdade sexual foi
alcançada".
Camila Dourado
Do UOL, em Londres
Do UOL, em Londres
0 comentário "Preocupar-se demais em agradar na cama atrapalha o sexo"
Postar um comentário